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Archive for junho \08\UTC 2009

samia2

foto: paulo amoreira

Por onde começo? Deixa ver… Hum, ta; entrei, avisto travesseiros pelo chão, um convite para que tentemos ficar confortáveis, é o que penso, enfim, escolhemos o nosso, nos instalamos, estamos firmes à princípio em nosso território escolhido e já então seguro. De repente um olhar me perfura, sinto logo que não vai ser fácil. Como é difícil olhar alguém assim tão intensamente, como é difícil olhar de verdade. Nesse momento o corpo estremeceu, teve uma ligeira intenção de fugir envergonhado sabe-se lá de quê, mas a oportunidade não era das mais comuns, eu tinha uma alma aberta diante de mim, como ia fugir dela, como ia fugir disso? Tomei uma coragem que não me pertencia e permaneci a olhar, a cada segundo mais e mais profundamente aqueles olhos, aquele alguém. Esse momento talvez eu possa descrever como sendo o momento de arrebatação. Era isso mesmo, eu estava ali, arrebatada, entregue à um tempo que vinha de encontro a meu tempo particular. E vinha de forma tão generosa, pedindo licença de forma tão carinhosa que não havia também como não se dar, eu confiei e fui. Confesso que houve um instante em que pensei egoistamente em mim, um instante em que eu quis simplesmente me tornar invisível, sem me importar com qualquer troca que fosse, queria permanecer ali bem perto, porém invisível para chorar o rio que naquele momento me atravessava. Um rio de corredeiras inflamadas, sim por que diante daquilo era preciso chorar, e muito. Mas logo veio também um querer altruísta, um querer cuidar de todos ali. Acariciar a cabeça do Márcio era preciso também, beijar o rosto da Sâmia era preciso, abraçar o Possi era preciso, rolar daquele jeito feito um bolo só, era preciso por demais. E claro que eu não me permiti de fato fazer nada disso. Ficou tudo explodindo na garganta e no peito, não que isso seja ruim, pois a vontade já é um princípio, e com certeza eu devo ter feito tudo isso sim em algum estado de matéria desconhecido por nós. O meu acalanto e meu toque passearam pelo ar e esteve sim com, e em vocês. Perdoem-me o termo, mas foi como fazer amor de tão íntimo que foi, de tão especial que é esse trabalho. Vocês conseguem nos trazer um momento único. Os movimentos minuciosos revelavam um mundo de intimidades valiosas, é um caminho que se faz de encontro a mais profunda camada de nosso ser. Isso é de uma complexidade tamanha, que o feito de vocês chega a ser grandioso e fenomenal. Colocam a arte aliada à vida de um jeito lindo, e esta arte/vida me atrai muito. Como é maravilhoso ver o pouco em cena, digo pouco no sentido de quantidade, limpo, sem excessos. Ultimamente tenho prezado muitíssimo essa simplicidade poderosa. Eu ficaria facilmente ali por horas compartilhando daquelas presenças calmas, porém fortes e acima de tudo sinceras. Particularmente me identifico plenamente com “Os Tempos” por falar de um tempo que vai contra, quer dizer, contra não, paralelamente não é isso? Bom, um tempo que está em paralelo com esse tempo louco e veloz no qual nos implantamos. Eu sou naturalmente do tempo da permanência, é da minha natureza permanecer onde me agrada, e isso pode ser qualquer coisa neste mundo. O brilho do asfalto, por exemplo, pode me fazer permanecer a ponto de filosofar sobre ele. Talvez eu seja uma louca, mas não sou a única e também se sou, não importa mais. O que importa mesmo é saber que logo ali, bem perto de mim existem algumas pessoas que ao menos tratam esse precioso tempo como ele realmente deve ser tratado e de alguma forma tentam habitá-lo nem que seja apenas na duração de uma apresentação de um espetáculo. Na verdade cada um de vocês é um lugar magnífico e a viagem por todos juntos e por cada um individualmente foi ótima. Obrigada Sâmia, obrigada Márcio, obrigada Possi, obrigada Andréa por esse “tempo” juntos.

Um grande abraço, Aline Silva.

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em julho os tempos no teatro do sesc-senac

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