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Archive for julho \28\UTC 2008

foto: paulo amoreira

De algo que as palavras não dão conta, é no que nos detemos com este trabalho.

Do que se trata viver? Do que se trata estar vivo e passar pela vida?

Não são poucas as vezes em que nos abate a paralisia, diante da inabilidade de lidar com o imponderável. Existem uns que ali permanecem, desistidos, em tempos de um não discernimento da vida, dos valores, do que pode valer a pena num regime de economia, distendido ao máximo alcance: pouco movimento, poucos desejos, poucos sonhos, pouco esforço. E existem os que passam, os que simplesmente andam em tempos outros, alheios à aceleração vertiginosa dos dias e das coisas de agora.

Ganhar espaço por dentro exige discrição. Ter coragem exige muita concentração.

Sutil diferença do tempo de economia: mínimo de movimento com o máximo de esforço. A construção de tempos outros: alquimia refinada, a de inverter polaridades internamente, transformando a dor em seiva que nutre.

E eis que me vem uma palavra, que passa a andar comigo, infalivelmente, nos meus passeios silenciosos: resignação…

O que é, onde está?

Passamos então a seguir seus rastros: oriente e ocidente, deserto e caatinga. O que age e o que espera? Para muitos, estado de acomodação passiva do qual se precisa sair. Para outros, tradições religiosas e espiritualistas de um mundo em estado de desagregação, virtude ativa e condição necessária para a conquista da felicidade, estado ao qual se precisa chegar.

Roland Barthes nos lembra, em O Neutro, o que os japoneses chamam de sabi: “simplicidade, naturalidade, não-conformismo, refinamento, liberdade, familiaridade estranhamente mitigada com desinteresse, banalidade cotidiana requintadamente velada de interioridade transcendental.”

De onde se parte e aonde se chega?

Este espetáculo diz respeito a uma forma de estar no mundo, algo que nos interessa observar, pensar e experimentar. Fé, força interior, resignação, capacidade de resistência, qualidade de resistir, neutro, princípio de delicadeza. O que for.

O que importa é que sejamos os que andam. Porque andar nos traz o silêncio, o verdadeiro processo alquímico: a transformação do metal em ouro.

Andréa Bardawil

Ficha Técnica
Concepção, direção e composição coreográfica – Andréa Bardawil
Intérpretes-criadores – Márcio Medeiros, Possidônio Montenegro e Sâmia Bittencourt
Assistente de Produção – Heber Stalin
Pesquisa e Montagem de Trilha Sonora – Consiglia Latorre
Figurino – Ruth Aragão
Assistente de Figurino – Gil
Iluminação – Walter Façanha
Projeto Gráfico e Fotos – Paulo Amoreira
Pesquisadora de plantão: Eveline Nogueira
O espetáculo Os Tempos permanecerá em cartaz nos dias 02, 03, 09, 10, 16, 17, 23 e 24, sempre às 19h, no Instituto Aquilae (rua Marcondes Pereira, 1077, fone 3272 4701). A platéia será limitada a 40 pessoas por dia. As reservas podem ser feitas pelo telefone 8744 4301 (Heber), e serão mantidas até 20min antes do início do espetáculo. A partir deste prazo, serão disponibilizadas aos demais interessados. Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
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